MTV VMA 2022 traz duas constatações: o pop atual está a anos luz do século 20, e que o rock não morreu, mas não passa muito bem

Embora a MTV não tenha mais, nem de longe, a relevância de que desfrutou entre os anos 80 e 90, o MTV Video Music Awards, cuja premiação aconteceu na semana passada, ainda é uma excelente fotografia do mercado da música nos EUA, e Canadá. Os artistas indicados ou premiados tocam e exercem influência mundo afora. A lista dos vencedores de 2022 aponta para a força da música pop latina nos Estados Unidos, o que também acentua que o consumidor latino tornou-se essencial para a indústria fonográfica americana;

 Por latina, entenda-se de países hispânicos. Tanto que a cantora carioca Anitta tenta entrar neste mercado cantando em inglês ou espanhol. Em português não dá. A cantora brasileira mais bem sucedida nas paradas americanas (e mundiais), em todos os tempos, a baiana Astrud Gilberto, com Garota de Ipanema, cantou a composição de Tom e Vinicius, na versão de Norman Gimbel, The Girl From Ipanema (do disco Getz/Gilberto, de 1965). Por sua vez, no não menos bem sucedido grupo de Sérgio Mendes, o Brasil 66, as vocalistas cantavam, na maioria das vezes no idioma de Shakespeare.

O rapper porto-riquenho Benito Antonio Martinez Ocasio, ou Bad Bunny levou o prêmio de Artista do Ano, mesmo que Doja Cat, Jack Harlow e Harry Styles tenham sido indicados em oito categorias. Aliás, os prêmios concedidos a Bad Bunny, Doja Cat (filha de mãe americana e pai sul-africano) e Jack Harlow só ratificam que o rapper, e com suas várias bifurcações, impôs-se como o ritmo mais rentável da música pop (sim, rap é vertente da música pop).

Uma premiação que confirma que o rock não morreu, mas não está passando muito bem. O chamado classic rock tem apenas um nome entre os indicados e vencedores, Elton John, com idade de ser avô de quase todos os nomes do MTV VMA (75 anos). Mas Elton só figurou na lista por ter gravado com a cantora, relativamente, novata Dua Lipa (de 27 anos, inglesa, de origem albanesa). Na categoria, também ninguém do classic rock (o dos 60 e 70). Dos anos 80, apenas a Red Hot Chili Peppers.

O prêmio de Melhor Canção de Rock foi disputado também pelos já veteranos Jack White, que começou com os White Stripers em 1997, Foo Fighters, fundada por Dave Grohl em 1994, a Muse, banda do britpop surgida também em 1994, Three Days Grace (canadense), de 1992. A banda mais nova da lista foi a Shinedown, criada há 21 anos. Venceu a Red Hot Chili Peppers. O rock está tão por baixo no mercado, que Avril Lavigne e a Imagine Dragons concorreram como “alternativos”.

Faz uma data, 55 anos, que Frank Sinatra, então considerado o melhor cantor popular do globo, dividiu um álbum com Tom Jobim, de repertório quase todo composto pelo brasileiro. Teve até quem o criticasse, no Brasil, como subserviente ao astro americano, por cantar em inglês. Enquanto isso, nesse MTV VMA, a carioca Anitta levou um prêmio, nem tão relevante, o de Melhor Clipe Latino, e na TV os apresentadores noticiaram como se tivesse vencido a Copa do Mundo da música pop. Voltando a Sinatra & Jobim, o álbum não levou a mais importante categoria do Grammy, a de Melhor Disco do Ano, que naquele ano um grupo inglês, The Beatles, concorreu com um LP intitulado Sgt Pepper’s Lonely Club Band.

Por fim, mas não menos importante, o MTV VMA mostra que a música popular consumida nesta terceira década do século 21, tem pouco ou quase nada do pop tal e qual era conhecido até o ano 2000. A quase totalidade dos astros premiados é de gente nascida na última década dos anos 90, ou no início do atual, para os quais Frank Sinatra ou Tom Jobim é música de um passado muito remoto para quem faz pop apropriado às plataformas de stream e aplicativos como o Tik Tok.

Embora a MTV não tenha mais, nem de longe, a relevância de que desfrutou entre os anos 80 e 90, o MTV Video Music Awards, cuja premiação aconteceu na semana passada, ainda é uma excelente fotografia do mercado da música nos EUA, e Canadá. Os artistas indicados ou premiados tocam e exercem influência mundo afora. A lista dos vencedores de 2022 aponta para a força da música pop latina nos Estados Unidos, o que também acentua que o consumidor latino tornou-se essencial para a indústria fonográfica americana;

 Por latina, entenda-se de países hispânicos. Tanto que a cantora carioca Anitta tenta entrar neste mercado cantando em inglês ou espanhol. Em português não dá. A cantora brasileira mais bem sucedida nas paradas americanas (e mundiais), em todos os tempos, a baiana Astrud Gilberto, com Garota de Ipanema, cantou a composição de Tom e Vinicius, na versão de Norman Gimbel, The Girl From Ipanema (do disco Getz/Gilberto, de 1965). Por sua vez, no não menos bem sucedido grupo de Sérgio Mendes, o Brasil 66, as vocalistas cantavam, na maioria das vezes no idioma de Shakespeare.

O rapper porto-riquenho Benito Antonio Martinez Ocasio, ou Bad Bunny levou o prêmio de Artista do Ano, mesmo que Doja Cat, Jack Harlow e Harry Styles tenham sido indicados em oito categorias. Aliás, os prêmios concedidos a Bad Bunny, Doja Cat (filha de mãe americana e pai sul-africano) e Jack Harlow só ratificam que o rapper, e com suas várias bifurcações, impôs-se como o ritmo mais rentável da música pop (sim, rap é vertente da música pop).

Uma premiação que confirma que o rock não morreu, mas não está passando muito bem. O chamado classic rock tem apenas um nome entre os indicados e vencedores, Elton John, com idade de ser avô de quase todos os nomes do MTV VMA (75 anos). Mas Elton só figurou na lista por ter gravado com a cantora, relativamente, novata Dua Lipa (de 27 anos, inglesa, de origem albanesa). Na categoria, também ninguém do classic rock (o dos 60 e 70). Dos anos 80, apenas a Red Hot Chili Peppers.

O prêmio de Melhor Canção de Rock foi disputado também pelos já veteranos Jack White, que começou com os White Stripers em 1997, Foo Fighters, fundada por Dave Grohl em 1994, a Muse, banda do britpop surgida também em 1994, Three Days Grace (canadense), de 1992. A banda mais nova da lista foi a Shinedown, criada há 21 anos. Venceu a Red Hot Chili Peppers. O rock está tão por baixo no mercado, que Avril Lavigne e a Imagine Dragons concorreram como “alternativos”.

Faz uma data, 55 anos, que Frank Sinatra, então considerado o melhor cantor popular do globo, dividiu um álbum com Tom Jobim, de repertório quase todo composto pelo brasileiro. Teve até quem o criticasse, no Brasil, como subserviente ao astro americano, por cantar em inglês. Enquanto isso, nesse MTV VMA, a carioca Anitta levou um prêmio, nem tão relevante, o de Melhor Clipe Latino, e na TV os apresentadores noticiaram como se tivesse vencido a Copa do Mundo da música pop. Voltando a Sinatra & Jobim, o álbum não levou a mais importante categoria do Grammy, a de Melhor Disco do Ano, que naquele ano um grupo inglês, The Beatles, concorreu com um LP intitulado Sgt Pepper’s Lonely Club Band.

Por fim, mas não menos importante, o MTV VMA mostra que a música popular consumida nesta terceira década do século 21, tem pouco ou quase nada do pop tal e qual era conhecido até o ano 2000. A quase totalidade dos astros premiados é de gente nascida na última década dos anos 90, ou no início do atual, para os quais Frank Sinatra ou Tom Jobim é música de um passado muito remoto para quem faz pop apropriado às plataformas de stream e aplicativos como o Tik Tok.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: