Antonio Adolfo revisita a própria obra em disco antológico

A maioria dos brasileiros que sabe quem é Antonio Adolfo conhece provavelmente apenas sua composição de maior sucesso no Brasil, Sá Marina (com Tibério Gaspar), que frequentou por semans as paradas, no final da década de 60, com Wilson Simonal, porém com diversas regravações na mesma época.
Sá Marina tem origem num quase movimento, ensaiado por Antonio Adolfo e uma turma de jovens músicos, que atuava no Rio, e pretendia criar uma espécie de bossa nova, só que em vez do samba, trabalhari o baião com elementos jazzísticos. Décadas depois, se Adolfo não invadiu o mundo em 1968 com o “baião novo”, ele desfruta de um prestígio no circuito do jazz compatível ao que tiveram os músicos da bossa. Tem mais prêmios e indicações para o Grammy do que todas as estrelas brasileiras incensadas no país, inflando o ufanismo pátrio.
Antonio Adolfo conduz carreira muito mais ativa nos EUA, e é coberto de maiores encômios pela crítica com o álbum Octet and Originals (AAM Music). Aliás, tão elogiado na revista Downbeat (a mais importante do jazz), que mais parece um release, ou deslumbramento de um amigo de fé:

O crítico Travis Rogers escreveu: “Deixe-me dizer logo, nunca me sacio de Antonio Adolfo. Cada álbum, cada música que ele já lançou é um tesouro. Antonio não apenas é um compositor e pianista brilhante, é também um arranjador sem igual”.

Depois de incursões pelo songbook de Tom Jobim, de Milton Nascimento, em Octet Originals, Antonio Adolfo recorre ao seu próprio repertório, boa parte dele de canções, que se tornam tema instrumentais com os adequados ingredientes jazzísticos, com claras influências do jazz da Costa Oeste (com de resto aconteceu com os bossanovistas). Dos seus poucos hits brasileiros, Teletema (esta, um clássico. Tema da novela Véu de Noiva, em 1969).

Está aqui também Feito em Casa, título do álbum de 1974, que é louvado como o primeiro disco independente da música brasileira moderna. Como a história do Brasil é contada a partir do Sudeste, oficialmente é. Mas Lailson e Lula Côrtes lançaram o psicodélico Satwa, em 1973 (mesmo ano de Marconi Notaro no sub-reino dos metazoários, também com selo independente).

São dez temas, em que Antonio Adolfo esmera-se nos arranjos (e aí temos que concordar com o crítico americano, difícil encontrar igual), e ao piano. É acompanhado por um time craques: Ricardo Silveira (guitarra), Jorge Hélder (contrabaixo), Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn), Danilo Senna (sax), Rafael Rocha (trombone), Rafael Barata (bateria e percussões). Isto posto não se tem muito que dizer. Um músico do porte de Antonio Adolfo, com um grupo como este, teria que nos presentear com um disco antológico, produzido por ele.     

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