Djalma Correa, percussionista mineiro que enriqueceu a cultura brasileira com música e pesquisas, morre aos 80 anos

O percussionista Djalma Côrrea, mineiro, de Ouro Preto, falecido nessa quinta-feira, 8 de dezembro, aos 80 anos (completados, em 18 de novembro) estava em Montreux na Suiça, para tocar na edição de 1978, do famoso festival de jazz da cidade, quando aconteceu a primeira noite de música brasileira). Iria tocar com Gilberto Gil.
O  quase desconhecido guitarrista e violonista recifense Ivson Wanderley, ou simplesmente Ivinho, foi quem abriu a participação dos compatriotas. Tocou  duas sessões. Uma à tarde outra à noite. A primeira sozinho. A segunda reforçada por Djalma Côrrea, que o acompanhou com um banjilógrafo, inusitado instrumento formado pela junção de um banjo com uma máquina de datilografia. Djalma foi um percussionista e criador de instrumentos.
Chegou a Salvador com 17 anos, em 1959, pra fazer um curso de música na célebre escola fundada pelo maestro Hans-Joachim Koellreutter. O que seria um curso de féria, estendeu-se por uma temporada de vinte anos na Bahia. Um dos seus mestre na escola de música da UFBA foi o suíço Walter Smetak (com o qual certamente aprendeu suas experimentações sonoras). Logo se tornou o ritmista (como então se chamava percussionista) mais requisitado do estado. Em 1964, tocou com os futuros tropicalistas, Caetano, Gil, Gal, Bethânia, Tom Zé e outros no musical Nós, por exemplo. Dez anos mais tarde iria tocar com os quatro primeiros no grupo Os Doces Bárbaros. Tocou com muitos dos grandes nomes da MPB nos anos 70, incluindo Jorge Ben (ainda sem o Jor), ou Toquinho e Vinicius.
Paralela à sua carreira de músico dedicou-se à pesquisa das manifestações musicais de origem afro. Já em 1977, em entrevista ao jornal alternativo Movimento, Djalma Correa contabilizava o conteúdo do seu acervo: daria pra 200 discos, projetar oito mil slides, e montar uma exposição com seis mil fotos em p&b. Nesse ano ele produziria um LP com parte do que colheu em terreiros baianos: Candomblé, com selo da Phonogram.
43 anos depois, o acervo do percussionista já era um dos maiores e mais importantes do país no gênero. Felizmente o Rumos Itaú Cultural iniciou o projeto Acervo Djalma Correa: Música e Cultura Afro-brasileira,  desenvolvido pela Balafon – Núcleo Brasileiro de Percussão.
Sua discografia como percussionista é curta e importante, mas se encontra toda fora de catálogo. Djalma Correa formou grupos importantes feito o Baiafro,  ou o Quarteto Negro, com Paulo Moura, Zezé Motta, e Jorge Degas.   .

Embora com carreira mais centrada no Brasil, mesmo quando percussionistas brasileiros eram objetos de desejo de músicos de jazz, nos anos 70, Djalma Correa não obteve a mesma repercussão internacional dos contemporâneos, Naná Vasconcelos, Dom Um Romão, Airto Moreira, ou Paulinho da Costa, mas fez parte do time, no qual também está incluído o caçula da equipe, o paulista Cyro Baptista.

Em janeiro de 2023, o trabalho e o acervo de Djalma Correa, poderão ser conhecidos na exposição Djalma Correa – 80 anos de música e pesquisa, abrigada pelo Museu do Pontal, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, com curadoria de Cecília de Mendonça.

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