Em 2022 a música latina dominou as paradas americanas, com o porto-riquenho Bad Bunny quebrando recordes

Embora o sucesso de Anitta nos EUA não seja tão retumbante quanto se jactam matérias ufanistas na imprensa brasileira, é inegável que o tino da cantora, ou da equipe que trabalha com ela, foi perfeito.  Não perdeu o timing do boom dos artistas latinos mundo afora, principal acontecimento no mercado musical de 2022. Por “música latina”, entenda-se que se trata de canções em língua espanhola, na qual, por sinal, é cantada Envolver, maior hit da supracitada Anitta.

Alguns nomes como o porto-riquenho Bad Bunny e a espanhola Rosalía almejaram o ineditismo de ter álbuns em espanhol entre os dez mais da cobiçada parada das 200 Mais do ano da Billboard, que inclui os discos em inglês. O fenômeno Bad Bunny nem é mais tão novidade assim. Desde 2020 ele é o mais tocado do mundo no Spotfy. Bunny fecha o ano com o primeiro álbum em castelhano no topo do paradão da citada Billboard, e também com a turnê mais lucrativa do ano nos EUA. Primeiro latino a chegar a este patamar, com 373 milhões de dólares (dois bilhões de reais, arredondados) arrecadasos em apenas 65 shows. Espera-se que até o final da turnê, que agora circula no México, Bad Bunny arrecade 435 milhões de dólares (dois bilhões e trezentos milhões de reais).

 E os recordes do Bunny não param aí. Seu álbum Um Verano Sin Ti (cuja capa ilustra a pastagem) é o primeiro em língua espanhola a ser indicado a Melhor do Ano, a principal categoria do Grammy geral (não o latino). Mais recordes. Teve 1,8 bilhões de plays numa única semana nas plataformas digitais.

Uma prova de que os EUA ruma para tornar o espanhol tão falado quanto o inglês? Possivelmente, pela quantidade de latinos que disputam o mercado com anglo-saxões. A colombiana Karol G foi a latina que mais se deu bem este ano nos Estados Unidos. Sua turnê americana rendeu 69,9 milhões de dólares (385 milhões de reais), quebrando os recordes anteriores de Jennifer Lopez, em 2019, e de Shakira, em 2018. O mercado fonográfico americano teve 9% de aumento em 2022, e o da música latino foi de 23%, devendo faturar neste ano mais de 1 bilhão de dólares (5,5 bilhões de reais).

Resultados que refletem no showbizz de palcos.  Este 2022 foi quase tudo “primeira vez”. Os festivais pop relegavam os astros latinos para palcos alternativos. Não em 2022. O festival de Coachella, dos mais badalados nos EUA, depois de dois anos sem acontecer foi retomado, com Karol G, Anitta, a argentina Nathy Peluso e o mexicano Grupo Firme e mais uma pá de artistas latinos no palco principal. Curioso é que o Grupo Firme faz música regional, e foi um dos que mais obtiveram plays nas plataformas.

Mas a espanholização da música pop não se limita aos Estados Unidos. Este ano na Europa, latinos marcaram seus espaços, sobretudo a espanhola Rosalía, que faturou alto, quase 50 milhões de dólares na turnê do álbum Motomami, o que é tão curioso, quanto o regionalismo do Grupo Firme ter atraído tantos consumidores. Motomami é pop mas com viês experimental, ousado. Aliás, já está até rolando um revival de bandas latinas que fizeram sucesso em décadas passadas. Um deles é o Los Buki, do México, surgido em 1973. A banda lotou o L.A Memorial Coliseum, onde arrebanhou cem mil pessoas, em duas apresentações. Em 3 de dezembro, no estádio dos Dodgers, também em Los Angeles, aconteceu o Besame Mucho Festival, com nomes feito Julieta Venega, ou Café Tacuba, na estrada desde início dos anos 90, numa reunião de mais de duas dezenas de bandas e intérpretes latinos, nenhum brasileiro.

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