A coisa no Brasil degringolou de um jeito que até a h2o, a popular água de beber, tá dando confusão. Me refiro, claro, às imagens do 8 de janeiro, em que um major é visto dando água a um golpista, no Palácio do Planalto. O que teve a sede saciada tomou parte na manifestação coletiva que levou a torcida organizada do ex-mandatário a botar pra quebrar em Brasília. E bote botar pra quebrar nisto.
Sei que muita gente vai me corrigir, ou me admoestar, porque escrevi “manifestação”, e não terrorismo. Usei o “manifestação” no sentido antigo do termo. Até uns tempos atrás, quando uma pessoa cometia desatinos, feito tanta gente cometeu no dia 8 de janeiro, dizia-se que tava manifestada, que havia baixado um Zé Pelintra nela.
No caso do manifestado que pediu água certamente não foi um Zé Pelintra, porque está entidade não é de h20. Aprecia é uma cachacinha. O caso desse golpista sedento tava mais prum Tranca-Rua, outra entidade de responsa, ou encosto afim. Deve ter baixado no Palácio do Planalto também o Para-Relógio, espirito zombeteiro, que levou um golpista a quebrar um valioso relógio que, fique bem claro, não veio da Arábia Saudita.
Voltando ao major da água. Ele contou que tirou o paletó e a gravata pra se infiltrar entre os manifestados, todos trajados de “70 neles”, ou “Pra frente Brasil” . O major ficou de camisa branca, de mangas compridas. Vai ver, o pessoal pediu água a ele porque o confundiu com o mordomo do Palácio do Planalto.
Como por cá anda acontecendo de um tudo, é bem capaz que, no final das investigações, chegue-se à conclusão de que o culpado por aquela impensável, imperdoável destruição, e da tentativa de golpe, foi o mordomo.
Crônica – Aí o golpista disse pro major: “Traga-me um copo d’água, tenho sede, e esta sede pode me matar”

Não conhecia a gravação da Linda Batista.Quanto ao termo ”manifestado”,no interior a gente usa também ”tomado” e ”possuído”,rs.
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