Ringo Starr: o patinho feio que virou cisne

O universo pop tem seus mistérios. Considerado por muita gente como o músico mais sortudo da Inglaterra (para alguns do mundo) por ter entrado para os Beatles na véspera da gravação do primeiro disco pela EMI, Ringo Starr era o patinho feio, e desajeitado, em um grupo com três compositores extremamente prolíficos e talentosos. Tanto que só teve uma composição gravada pelo quarteto no Álbum Branco (1968), Don’t Pass me By. A segunda, Octopus’ Garden, em Abbey Road (1969).

Mas eis que, depois do fim dos Beatles, o patinho feio teve sua fase de cisne. Entre 1971 e 73, ele foi o mais bem sucedido dos quatro comercialmente. Em 1971, emplacou um grande hit internacional It Don’t Come Easy, que chegou ao topo das paradas mundo afora. No ano seguinte, repetiu o feito com Back to Boogaloo (que não tocou no Brasil). Em 1973 conseguiu dois primeiros lugares no disputadíssimo listão da Billboard, com Photograph (Paul McCartney), e You’re Sixteen (Sherman Brothers).

 Estas duas do repertório do álbum Ringo, um dos discos mais elogiados pela crítica em 1973 (quase 1974), e que rendeu outro superhit, Oh, My My, parceria de Ringo e Viny Poncia (que tocou no Brasil tanto no original quanto com The Fevers). Ringo foi o último álbum a ter a participação de todos os Beatles (mas não ao mesmo tempo no estúdio). Em 1971, Ringo, Paul e George estiveram no topo das paradas dos dois lados do Atlântico. Harrison só teve dois grandes sucessos, My Sweet Lord e Give me Love. McCartney emplacou a partir de 1973. John Lennon em carreira solo só esteve no primeiro lugar das paradas uma única vez em vida. E não foi com Imagine, sua canção mais conhecida. Aconteceu em 1974, com Whatever Gets Through the Night, um dueto com Elton John, faixa do disco Walls and Bridges.

EP

Este palavreado todo para lembrar que Ringo Starr lançou um novo EP, Change the World, o segundo em 2021 (em março lançou Zoom in). São quatro canções, a que dá título ao disco, é assinada por Steve Lukather e Joseph Williams (da banda Toto). Se não fosse creditado a um beatle, certamente o EP teria muito menos espaço na mídia. São canções simples, de acordes básicos, melodias repetitivas, com raízes na música country, mesmo na faixa Just the Way, um reggae. O disco fecha com uma versão de Rock Around the Clock (Myers/Freedman).

 Assim como nos seus discos de sucesso nos anos 70, Ringo enriquece sua música com uma pequena ajuda dos amigos. Entre estes, estão no EP Linda Perry, Trombone Shorty, e Joe Walsh, com um preciso solo de guitarra no cover de Rock Around the Clock.

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