Maestro Rafael Garcia, do Virtuosi, morre aos 77 anos

Numa época em que os jornais cobriam os shows e concertos no final da semana, fui escalado pra cobrir a edição de 2014, do Virtuosi, festival de música de câmara, que acontece no Recife desde 1998. Produzido pelo casal Rafael Garcia e Ana Lúcia Altino, ele maestro e violinista, ela pianista.
Cobri várias edições do Virtuosi, a última vez, em Gravatá, em 2017. Uma noite chuvosa, mas a igreja lotou para um programa de música erudita, o que prova que o povo consome a arte que lhe é oferecida.
Essa edição de que falei no início do texto foi diferente. Uma maratona erudita. 24 horas ininterruptas de concertos. O primeiro começou às 20h da sexta, e o ultimo foi apresentado às 20h do sábado Os concertos começaram no início da noite, e sucederam-se, sem intervalo até o final. Bastante eclético, com músicos gringos, Artur Moreira Lima, Naná Vasconcelos com DJ Dolores, maestro Spok. Foi meio surrealista, um grupo inglês, o Stringfever, apresentando-se às três da madrugada para uma plateia de poucas pessoas, pra curtir um repertório com Vivaldi, Bach, com Beatles e temas de James Bond. Confesso que teve um momento que me bateu o sono, fui em casa, dei uma cochilada, e voltei umas seis da manhã para o Santa Isabel. A programação era de música de concerto, mas com a duração punk.

FALECIMENTO

O maestro Rafael Garcia teve sua morte anunciada hoje, aos 77 anos. Deixou uma lacuna enorme na música para concertos em Pernambuco. Ele e Ana Lúcia estavam à frente desta área musical, em várias iniciativas musicais, não apenas com o Virtuosi, que acontecia no Recife, e estendia-se à serra, com concertos, de entrada franca, em igrejas de Garanhuns e de Gravatá. Com programações que traziam grandes nomes internacionais da música erudita. Ou atrações como o cantor Edson Cordeiro, que fez, em Gravatá, em 2017, um recital com árias de pinçadas de diversas óperas, acompanhado pela Orquestra Jovem de Pernambuco, regida pelo Maestro Garcia.
Chileno, desde 1970 no Brasil, curiosamente, mas sem perder o sotaque, Rafael Garcia viveu a música com intensidade, em São Paulo, João Pessoa, no Recife – com um hiato, de 1987 a 1995, tocando e ensinando em Boston, nos EUA, Desde então morou na capital pernambucana. Quando estava com algum novo projeto, era a mim ou a Marcelo Pereira a quem o maestro recorria na redação do JC, invariavelmente lamentando as dificuldades que enfrentava para produzir eventos de música clássica em Pernambuco. Felizmente sempre driblava os tais obstáculos, e conseguia produzi-los. Este ano o festival Virtuosi aconteceu, no formato virtual. Torçamos para que continue acontecendo, assim que possível com presença de público. Isto posto, um muito obrigado ao maestro Rafael Garcia, também um virtuoso do violino. (foto: Flora Pimentel/Divulgação).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: