Joan As Police Woman lança disco com últimas gravações do baterista Tony Allen

Falecido em abril de 2020, o baterista nigeriano Tony Allen tem o terceiro disco lançado em 2021, ironicamente o título do seu primeiro álbum póstumo foi There’s No End (Não Tem Fim), veio em seguida um trabalho com o trompetista sul-africano Hugh Masekela, gravado em 2010, e agora Allen chega num projeto, no qual fez suas ultimas gravações, com a cultuada americana Joan Wasser, ou Joan As Police Woman, de livre trânsito entre várias vertentes da música pop dos dois lados do Atlântico, e o austríaco Dave Okomu, que liderou uma elogiada banda inglesa, The Invisible, trabalhou com Amy Winehouse e St. Vincent, entre outras e outros.

Joan As Police Woman, é da classe de 1970, estudou música na universidade, mas caiu no rock and roll. Integrou o grupo Dambuilders, do qual saiu para a cult Anthony and The Johnsons. Foi companheira durante três anos de Jeff Buckley. A morte dele em 1997, a deixou meio sem rumo, passou por algumas bandas, e formou a Back Beetle, com alguns integrantes do grupo de Buckley. Em 2005, lançou o primeiro disco como Joan As Police Woman, nome inspirado na série Police Woman, com Angie Dickinson. Sua trajetória desenvolveu-se quase sempre pelas estradas vicinais, tocou violino ou fez vocais de apoio para gente como Lou Reed, Rufus Wainright, John Cale ou Scissors Sisters, mas chegou a um Elton John.

Workaholic, durante a pandemia, gravou o álbum Song Machine, da Gorillaz, com Damon Albarn, fez um disco de covers, e um ao vivo. Fez sozinha The Solution Restless, criado em estúdio doméstico, a partir de tapes compostos de rascunhos e arcabouços de possíveis canções. Robusteceu o projeto com as participações de Meshell Ndegeocello, Cole Kamen-Green, Parker Kindred, and Damon Albarn, por intermédio de quem Joan conheceu Tony Allen.

 Fitas que tem origem quando ela, Tony Allen e Dave Okomu adentraram um estúdio em Paris para gravar. Compartilharam uma produtiva jam session, que nãose sabia que destino teria. Joan voltou-se para as  fitas das sessões de Paris em abril de 2021. Tinha todo o tempo livre em casa, sitiada pela pandemia, para trabalhar nas gravações. Quando soube da morte de Tony Allen, ela imergiu no projeto, e confirmou-se também como produtora experiente.

Embora Tony Allen seja músico convidado para tocar com Joan As Police Man, sua bateria é, a tal cereja do bolo. O cara foi um dos mais inventivos bateristas que já passaram por este planeta. Suas mudanças de rota são desconcertantes, mas com habilidade para não desnortear quem toca com ele. É a linha mestra na construção do álbum

MÚSICA

Joan As Police Woman não faz concessões ao pop fácil, porém tampouco cria uma barreira intransponível para o entretenimento. The Barbarian abre o repertório, um soul, criado em torno da bateria de Tony Allen, e camadas de loops, que percorrem onze agradáveis minutos. Em The Love Has Got Me, uma balada soul, daquelas pra tocar no rádio, Allen está impossível na bateria, mas com sutileza, e Joan interpreta com sensualidade, uma canção de melodia sinuosa. O disco transcorre num clima aconchegante, em faixas longas, média de cinco minutos, mas Reaction, que fecha o repertório vai a mais de oito. Mas nunca soam monótonas. Com músicas formatadas em meio a pandemia, não há canções sobre o tema, Aliás, uma se refere indiretamente a crise santária. É Take me to Your Leader, inspirada na primeira ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, uma das líderes mundiais que melhor soube controlar a disseminação do vírus em seu país. O álbum sai em todos os formatos, em vinil é álbum duplo.

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