Nelson Ferreira imortalizou o time reserva timbu

Paulinho, Genaro, Lula, Dico, Alheiros e Jaminho, Carmelo, Jandir, Bororó, Schiller e Genival; Esta uma das formações do chamado Come e Dorme, do Náutico. O nome porque o time titular alvirrubro jogava tão bem, que os reservas nunca entravam. Era o “come e dorme”., também composto de bons jogadores. O técnico começou a escalar a turma reserva para atuar em algumas partidas. Ficaram tão badalados que o pessoal queria ver os reservas tanto quanto os titulares. O treinador passou a escalar um time misto, com três ou quatro craques titulares, mas a maioria de come e dorme.  Em 1952, saiu até um bloco chamado Come e Dorme, Trabalha e Brinca e Trabalha, formado por empregados do Banco Comercio e Indústria S;A.

Nelson Ferreira inspirou-se e fez um frevo intitulado Come e Dorme, que virou o hino do Náutico (não sei se oficializado). No final de 1952, José Rozenblit criou um selo de discos, com nome escolhido através do voto direto, com urna colocada na loja do Bom Gosto, a mais moderna do Recife (na Rua da Aurora, 477). Ganhou o nome Mocambo, uma palavra badalada em Pernambuco, havia até uma liga contra o mocambo. O que eram mocambos tornaram-se comunidades de barracos que, cada vez mais, vêm pontuando a paisagem do estado.

O maestro Nelson Ferreira, contou o maestro Zé Menezes, não pareceu muito interessado em participar do disco inaugural da Mocambo, com razão. Onde já se ouviu falar de gravadora numa cidade do Nordeste Menezes foi convidado por José Rozenblit para compor uma música para o álbum. Ele fez com Aldemar Paiva, o frevo canção Boneca, também a estreia de Claudionor Germano em disco. Nelson Ferreira topou entrar naquela parada nova, e gravou Come e Dorme, o frevo que imortalizou o time reserva do Náutico, 70 anos atrás. Nelson uma vez revelou ao jornalista Leonardo Dantas Silva que não se considerava um bom compositor de frevo de rua. Escreveu poucos, mas todos primorosos, e Come e Dorme é um primor.

O lançamento oficial do 78 rotações aconteceu em 1º de janeiro de 1953, com farta divulgação na imprensa, jornal e rádio. Mas não apenas o disco de frevos. De passagem pelo Recife, a cantora e atriz mexicana Eva Garza gravou duas músicas no Recife, o mambo Penita Comigo, e a valsa. Eva era contratada do selo Secco, de Nova Iorque, que trabalhava com artistas latino-americanos. E assim o time da boa vida alvirrubro, que só fazia comer e dormir, como brincava o povo, acabou indiretamente responsável por um dos mais conhecidos frevos de rua do repertório carnavalesco pernambucano.   

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