TBtelestoques – Relebrando Buenos Aires e o livro Aerosmith es una mierda e otros contos sin music.

Assim que vislumbrei a capa do livro de um sujeito Eduardo de la Puente, numa livraria da Calle Florida, em Bueno Aires, soube que minha promessa de não gastar meus parcos pesos tinha ido pras cucuias. A cara de mal estar do autor, e o título do livro eram os atrativos. Chama-se Aerosmith es uma mierda y otros cuentos sin musica. Entre outras manias, não posso ver livro sobre música que compro, por pior que seja. Tenho cá em casa alguns que chegam a ser hilários.

 Um destes conta as diversas aparições que Elvis Presley fez desde aquele fatídico 16 de agosto, de 1977, data de sua derradeira ida ao sanitário. Aliás, li num jornal de Buenos Aires que Elvis está vivinho da silva e morando onde? Na Argentina, claro, que nuestros hermanos portenhos não dão muita atenção ao adjetivo humildade.

Mas falava do livro do argentino Eduardo de la Puente. Aerosmith es uma mierda, é um conto, engraçadíssimo, e merecia uma tradução brasileira, até porque os nossos roqueiros são muito sérios, quando não chatos, em suas incursões pela literatura. La Puente tocava numa banda chamada Tristemente Célebres, e seu livro de contos é muito divertido.

Em Los Aerosmith es uma mierda, os integrantes de uma banda iniciam uma discussão sobre o disco Get a Grip, do grupo americano. Um dos integrantes afirma que o Aerosmith acabou quando começou a fazer sucesso com baladas: “Parecem Luis Miguel com distorção”. Daí a discussão envereda para um debate bizantino sobre a história do rock and roll.

 Um deles lembra que os Beatles gravaram um monte de baladas. O outro retruca que fizeram isto depois de famosos: “Não é o caso de terem feito uma Yesterday e terem passado o resto da carreira repetindo Yesterday”.

O próximo argumento. Toys in the attic (disco de 1975, considerado um dos melhores do Aerosmith) vendeu 50 milhões de cópias a menos do que Get a grip. O outro retruca, questionando a importância que se dá a números:

 – “E daí? Se for assim, milhões de moscas não podem estar equivocadas. Vamos todos comer merda!”

A conversa parte para o King Crimson, para um deles, a banda realmente revolucionária, que mudava a cada disco. O que retruca, diz que o AC/DC e o Motörhead fazem o mesmo tipo de som há zilhões de anos, porque o som deles é este mesmo, rock and roll: “E o que queres que façam? Lancem um álbum conceitual duplo, como se fossem Pink Floyd? O baterista intervém: “O Pink Floyd morreu quando Roger Waters saiu”. David Gilmour apropriou-se do nome da banda e fez esta porcaria de A momentary lapse of reason e The Division bell, que são apenas as canções mais fáceis do grupo recicladas”.

Do Pink Floyd passam para o Gênesis com ou sem Peter Gabriel, A Metallica depois do sucesso de Load e Reloaded, Limp Bizkit, Four Non Blondes. Daí passam para os guitarristas. Um dos caras diz que nunca achou graça em Eric Clapton, David Gilmour e em B.B King, e que acha uma farsa se considerar que a santíssima trindade da guitarra é formada por Jimi Hendrix, Ritchie Blakmore e Jimmy Page.

 A coisa começa a entrar no pessoal: “No dia em que tu criar um riff igual ao de Burn tu pode falar o que quiser, por enquanto fecha a latrina”. Mais adiante, já envereda pelo politicamente incorreto, quando um deles elogia Stevie Wonder o outro retruca com um comentário politicamente incorretíssimo (n- o comentário está no versão que publiquei, há trocentos anos, no JC Online.  Desta feita, me autocensurei, pro politicamente correto não me cancelar, achando que o comentário é de minha autoria).

Bem a coisa vai esquentando, com palavrões a dar com o pau. Aliás, a banda está perto de quebrar o pau, quando os integrantes são chamados para o palco. Enquanto eles saem do camarim, ouve-se o apresentador anunciá-los: “Batam palmas para receber os criadores de Un pete por un papel, com vocês Los Mariscales de Cumbia”!  Pois é, os caras que entendiam tanto de rock and roll são integrantes de uma banda popularesca brega.

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