Plinio Fernandes, o jovem virtuoso, que estreia em disco dando protagonismo ao violão brasileiro

Houve uma época no Brasil em que violonistas lotavam teatros em concertos solo. Alguns deles: Sebastião Tapajós, Paulinho Nogueira, Darcy Vilaverde, Rosinha de Valença. Baden Powell, bem menos, porque durante muitos anos fazia bem mais apresentações fora do país, assim como os irmãos Sérgio e Odair Assad, o Duo Assad (e ainda a irmã, Badi Assad). Por isto é até estranho se anunciar, com certa ênfase, o lançamento de um disco de um violonista, estreante, o paulista (de Itanhaém) Plinio Fernandes, 27 anos. Seu álbum de estreia, intitula-se Saudade, e foi lançado em julho de 2022, no exterior pela Decca (uma das várias gravadoras adquiridas pela Universal Music) lançada semana que passou no Brasil.

Sem o alarde que acompanha intérpretes populares que alcançam lugar privilegiado nas paradas compiladas pela Billboard, Saudade está no topo da parada de música erudita da mais importante revista do mercado da música, passando por cima  dos badalados dois discos do maestro e compositor John Williams, mais conhecido como autor de trilhas sonoras. Ao completar 90 anos, William teve dois incensados álbuns lançados, um com a Filarmônica de Berlin, o outro com o celista Yo-Yo Ma e a Filarmônica de Nova Iorque.

Plínio foi notícia dez anos atrás, quando conseguiu uma bolsa da Capes para estudar numa das escolas de música mais cobiçadas do planeta, a londrina Royal Academy of Music. O nome de Plinio Fernandes circulou rapidamente pela Internet, durante a pandemia quando fez com a família de músicos africanos (de Serra Leoa), Kanneh-Mason, uma série de lives que teve mais de 1 milhão de visualizações. Uma participação no disco do celista Sheku Kanneh-Mason, em Scarborough Fair/ Canticle (hit de Simon & Garfunkel em 1966). Esta versão alcançou 18 milhões de views. (nem só piseiro tem milhões de consumidores)

Saudade vem recebendo elogios rasgados. Plinio Fernandes fez apenas a lição de casa para recebê-los. Aproveitou temas da música brasileira que, por tantos anos, fez amigos e influenciou pessoas mundo afora, pela qualidade de melodias, harmonias, equilibrando sofisticação com acessibilidade. Não por acaso está no disco a composição da MPB mais tocada em todos os tempos, Garota de Ipanema, de Tom e Vinicius, ratificando que a boa música continua sendo regravada, e músicos descobrindo, ou criando novas nuances, às interpretações.

Também exaustivamente gravados e tocados são os Prelúdios de Villa-Lobos, que Fernandes interpreta com virtuosismo e personalidade. Ele também ignora a linha imaginária que separa o popular do erudito. Incursiona pelo repertório da chilena Violeta Parra, Milton Nascimento, Jacob Bittencourt, Chico Buarque, Edu Lobo, Cartola, de O Mundo É Um Moinho, com participação de Maria Rita. Os amigos Sheku Kanneh-Mason violoncelo em Bachianas Brasileira nº 5: 1 – Aria (Cantilena), Adágio no violoncelo, e o violinista Braimah Kanneh-Maso em Menino.

 Parte dos arranjos é assinada por Sérgio Assad, e mais alguns violonistas, João Luis, Emmanuel Sowics, e do próprio Plinio Fernandes, que mata um pouco a saudade dos tempos em que o violão foi protagonista nos palcos do país.  

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